Nova Esperança ou o Desejo de Ser
(Dedicado à Samary)
I
Do sal e do vento regresso, cansado,
Meu nome no tempo o mar apagou,
Mas trago nos olhos o fado calado
De quem tudo perdeu e tudo encontrou.
II
A guerra é memória, o lar é promessa,
Da chama do amor que arde em mim,
Penélope espera, fiel à pressa
Do tempo que volta, do novo jardim.
III
No porto adormece a antiga epopeia,
No chão renasce o primeiro luar,
Quem volta não é quem partiu na areia,
Mas quem aprendeu o que é regressar.
IV
O mundo girou — e eu, renascido,
Com a alma lavada do sal da razão,
Agora é no abraço que vejo o sentido,
E em ti começa a nova canção.
V
A vida é viagem, o tempo é criança,
Que dorme nos braços de quem souber crer.
Do fim faz-se início, do pranto esperança
Da esperança se ergue o desejo de ser.
Francisco Vaz
Portela, 8 de Novembro de 2025
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