Pecado original

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

5 Janeiro 2026 - Nova Esperança



Nova Esperança ou o Desejo de Ser
(Dedicado à Samary)


I

Do sal e do vento regresso, cansado,

Meu nome no tempo o mar apagou,

Mas trago nos olhos o fado calado

De quem tudo perdeu e tudo encontrou.


II

A guerra é memória, o lar é promessa,

Da chama do amor que arde em mim,

Penélope espera, fiel à pressa

Do tempo que volta, do novo jardim.


III

No porto adormece a antiga epopeia,

No chão renasce o primeiro luar,

Quem volta não é quem partiu na areia,

Mas quem aprendeu o que é regressar.


IV

O mundo girou — e eu, renascido,

Com a alma lavada do sal da razão,

Agora é no abraço que vejo o sentido,

E em ti começa a nova canção.


V

A vida é viagem, o tempo é criança,

Que dorme nos braços de quem souber crer.

Do fim faz-se início, do pranto esperança

Da esperança se ergue o desejo de ser.



Francisco Vaz


Portela, 8 de Novembro de 2025

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