Eros e Psique
Desceu da noite o deus alado,
Em sonho e névoa, em doce ardor;
Trazia o lume encantado
Do primeiro e último amor.
Psique dormia em véu de lua,
Sem ver o rosto que a beijou;
Mas cada toque, alma nua,
Dizia: “É teu quem te amou.”
Afrodite, em ciúme aceso,
Fez do amor pena e provação;
Mas onde há dor, há o desejo
De ser eterno o coração.
Por mares, ventos e colinas,
Psique buscou seu ser divino;
Nas flores viu as mãos divinas,
Nos astros, o seu destino.
E quando o céu enfim sorriu,
Selando o sonho e a paixão,
O amor — que tudo destruiu —
Fez-se luz, alma e perdão.
Francisco Vaz
5 de Dezembro de 2025
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