Pecado original

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domingo, 2 de março de 2014

História e Cultura Bíblica


O CONTROLO ROMANO DO MÉDIO ORIENTE
AS CAUSAS DA CONQUISTA ROMANA

Introdução
Antes de iniciar a análise que nos propomos realizar convém dizer algo sobre as fontes bibliográficas do período intertestamentário. Desde logo a primeira grande questão que se coloca é a de saber que valor atribuir às fontes; esta época caracteriza-se por ser uma época de grandes tensões que marca de forma determinante a história que chegou até nós.
O problema com que nos deparamos é o facto de que muito do material que passou à escrita, foi tradição oral durante muito tempo. Exemplo deste facto é a Mishná[1], cujas tradições remontam ao tempo de Cristo, embora a esta obra tenha sido escrita em 220 da nossa era. Torna-se por isso necessário, em termos de metodologia, comparar o documento escrito com a tradição da época.

Para além disso, no uso destas obras é preciso ter sempre presente que o período compreendido entre o início do século I a.C. e o final do século I d.C., é uma época de grande complexidade social e política. É neste período que a questão judaica entra na ordem do dia e se internacionaliza, tornando-se no grande problema do Império Romano. De entre todas as fontes, a obra de Flávio Josefo destaca-se como referência para o estudo deste período, que incide nos séculos I a.C. e I d. C.[2].
Objectivos

São três os objectivos do presente trabalho:
a.     Analisar os antecedentes históricos e geográficos que contribuíram para a expansão romana para o Oriente e, em particular as razões da ocupação da Palestina;
b.     Analisar como foi efectuado o controlo romano da Palestina pelos romanos no período de 63 a.C. a 70 d.C.;
c.     Destacar as fontes bibliográficas que nos relatam os acontecimentos ocorridos na Palestina no período inter-testamentário, em particular no século I a.C..

Antecedentes

De Alexandre o Grande, à dinastia dos Asmoneus

Com a vitória de Isso[3], perto das chamadas Portas da Silícia, Alexandre Magno iniciou a marcha para oriente ficando com o caminho aberto para conquistar todo o litoral do Mediterrâneo Oriental[4]. Consolidado o seu domínio em toda a costa do Mediterrâneo oriental, Alexandre dirige a sua campanha para o interior com o objectivo de acabar com o que resta do império Persa. Vencido Dário III na batalha de Arbela[5], acaba de vez com o império Persa, alargando o seu império até ao Vale do Ganges. Quando morre em 323, com apenas 32 anos, deixa um império vastíssimo, sem um herdeiro designado.
Os seus generais, procuram num primeiro momento manter a unidade do império, tarefa essa que se revela impossível. Das lutas que se seguiram à desintegração do império, entre as várias facções, resultaram: a dinastia Selêucida[6], fundada por Seleuco, que controla a Ásia Menor e a Mesopotâmia, a dinastia dos Lágidas[7], fundada por Ptolomeu que governa o Egipto e a Palestina e o reino fundado por Antígono que controla a Macedónia.
Fávio Josefo conta-nos em Antiguidades Judaicas, como após a morte de Alexandre, o império foi dividido pelos seus generais e descreve, entre outras peripécias, como Ptolomeu, filho de Lagos tomou Jerusalém usando de dissimulação e perfídia[8].
Com o fim do império de Alexandre, a Palestina é objecto de disputas entre os dois reinos mais fortes: o dos selêucidas a norte e o dos ptolomeus a sul. Desta forma, a Palestina fica sob o domínio dos ptolomeus durante todo o século III ficado sob o domínio dos selêucidas a partir do início do século II[9]. Segundo os Papiros de Zenão[10], a Palestina gozou de alguma paz e prosperidade durante o século III a.C.
Políbio, que viveu no século III, deixou-nos testemunhos sobre as lutas entre selêucidas e ptolomeus e os acontecimentos relacionados com a Palestina, como por exemplo, relatos das operações militares nesse território[11].
No início do século II Antíoco III (232 a 187) alia-se a Filipe V da Macedónia na luta contra Ptolomeu V (Epifanes) e ocupam a Palestina, pondo fim ao domínio dos Lágidas, que tinha durado um século. Antíoco III envolve-se em guerra com Roma mas é derrotado nas batalhas das Termópilas e Magnésia. È profundamente humilhado pois fica obrigado a pagar uma pesada indemnização em ouro. Para poder satisfazer este compromisso começa a pilhar os templos e acaba por morrer numa operação dessas. Este episódio é referido no livro dos Macabeus e por Flávio Josefo em Antiguidades Judaicas[12].
Seleuco IV (87-175), filho de Antíoco III tenta também apossar-se do tesouro do templo para pagar o tributo a Roma, no que é mal sucedido. Seu irmão Antíoco IV, não concordando com a política seguida, faz-se proclamar rei com o apoio de Roma e força a helenização da Palestina, impondo costumes e formas de vida completamente estranhas ao povo judeu. A sua política repressiva leva ao extremo de abolir a religião judaica (167). A reacção dos judeus é violenta dando origem à chamada revolta dos Macabeus (167/166) (1Mac 2). Flávio Josefo dá-nos uma perspectiva deste acontecimento[13], que leva a família dos Macabeus, liderada por Matatias, a encabeçar a luta que assentava na rejeição dos reis helenistas e no regresso à tradição dos pais[14].
Em 140 a.C. Simão Macabeu funda com o seu reinado aquela que ficaria conhecida como a dinastia dos asmoneus. Seu filho João Hircano deu continuidade a esta política e procurou expandir o seu território à custa do Império Selêucida. Para isto contribuiu a aliança com Roma, que vem já do tempo de Judas Macabeu. O livro dos Macabeus dá conta destas alianças designadamente o primeiro contacto entre judeus e romanos (1 Mac 8) e Flávio Josefo descreve-nos essa aliança na sua Guerra dos Judeus[15].
O sucessor de Hircano, Alexandre Janeu reina de 103 a 76 e sua mulher, Alexandra Salomé, governa de 76, data da morte de Alexandre, até 63 a.C..

Roma e o oriente

 A expansão para oriente do Império Romano começou já no século II e resulta da ambição de controlar e garantir a segurança numa região estratégica para o comércio e a defesa das fronteiras[16]. Deste modo, a vitória definitiva que os romanos obtiveram sobre os cartagineses teve como consequência a criação de um verdadeiro protectorado romano estabelecido nas cidades gregas a Este do Adriático[17]. O Mar Adriático e o Mar Egeu tornam-se, a partir de 197 a.C. um lago romano[18]. Em 22 de Junho de 168, os romanos derrotam em Pidna, o exército de Perseu, filho de Filipe V. Os territórios que faziam parte do seu reino ficam submetidos a diversos regimes. A partir desta altura a maior parte da Grécia continental (Acaia) passou a estar incluída no Império Romano. Mas Roma já tinha ambições e projectos para a Ásia. A decadência do reino Selêucida, que se estendia desde a Síria até às margens do Eufrates, agravada pela derrota que os romanos lhe haviam infligido na Magnésia, em 189, enfraqueceram-no ainda mais[19].
Na Ásia Menor, o rei de Pérgamo, Átalo III, apercebendo-se da ameaça romana apressou-se a fazer uma aliança com estes e quando morreu em 133, legou a Roma o seu reino.
Dos reinos do império de Alexandre apenas restava, intacto e suficientemente forte para ter esperanças de sobreviver, o dos lágidas do Egipto, domínio da dinastia dos Ptolomeus.
Só Octávio (César Augusto) o submeteria, depois da derrota de António no ano 30 a.C.. O reino de Pérgamo foi pura e simplesmente anexado, constituindo a “Província da Ásia”. Mais tarde, o Egipto teve um regime diferente. Era uma prefeitura governado por um prefeito, sendo proibido a qualquer senador penetrar no país sem autorização expressa[20]. Desta forma, os romanos iam construindo o seu império, em função das condições próprias de cada povo que integravam e da sua história, usando de um grande pragmatismo, não aplicando uma receita única para impor a sua hegemonia.
No final das operações desenvolvidas no Oriente, exceptuando a costa que se estende do delta do Nilo às costas da Cirenaica, toda a bacia do Mediterrâneo oriental se tornara um lago romano, ou viria a tornar-se, quando Roma decidisse anexar a Síria e o sul da Ásia Menor. A anexação da Síria viria a ser consumada por Pompeu em 64, uma década antes do fim da República[21].
Enquanto a conquista de Alexandre Magno se ficou pelas zonas costeiras, os romanos conquistaram e ocuparam uma faixa de território mais alargada, que lhes permitia uma melhor defesa contra as ameaças das tribos berberes, e também garantiam a segurança das vias de comunicação entre o norte e o sul: Via Maris (derek hayam), Via Regis (derek hamelek) e Estrada da Montanha ou Via dos Patriarcas (Gn 12,5-9)[22].
Autentico corredor de passagem entre o norte e o sul, esta região foi sempre uma zona estratégica por onde passavam exércitos e caravanas comerciais e populações nómadas em busca de terras férteis onde se pudessem fixar. Deste modo é fácil compreender a importância que estas vias de comunicação tiveram para a história do Médio Oriente.

A situação política no Oriente no início do Século I a. C.

Nos finais do século II, graças à reforma militar de Mário, o exército romano torna-se numa máquina de guerra quase perfeita[23]. Enquanto até aí o recrutamento se fazia nas classes censitárias, com esta reforma o recrutamento passa a ser feito indiferentemente entre todos os cidadãos, que servem nas fileiras durante 20 anos. A partir de então o exército é mais numeroso, mais profissional e portanto mais bem treinado. Mário divide a legião em 10 cortes, cada uma com 6 centúrias, o que aumenta o seu efectivo para 6.000 homens. A legião é a partir de então simbolizada por uma águia de prata. O armamento torna-se homogéneo. A lança desaparece e todos os legionários são dotados do “pilum” (azagaia)[24]. São estas legiões, saídas da reforma de Mário que terminarão a conquista do mundo mediterrânico.
Após a campanha em África nos anos 107 a 105, Mário regressa a Itália com o seu exército para enfrentar os Germanos que pela primeira vez ameaçam Roma. Libertada a península deste perigo ficam então por resolver dois problemas: a pirataria no Mediterrâneo e a questão do Oriente[25].
A pirataria era um verdadeiro flagelo para os interesses romanos, sobretudo na região oriental do mediterrâneo, onde as ameaças e perdas para a navegação e para o comércio eram constantes. A princípio os piratas actuavam individualmente, mas com o tempo passaram a organizar autênticas esquadras que actuavam de forma coordenada. Após obterem informação sobre os portos de partida e destino dos navios, interceptavam-nos e capturavam numerosos prisioneiros que vendiam como escravos. Ao mesmo tempo saqueavam as costas e as ilhas[26].
Em Roma desde logo se impõe a ideia de que só um chefe, com um poder alargado, poderia por termo a este perigo permanente É assim que Pompeu, general já com prestígio, após a intervenção de Cícero no Senado[27], recebe em 67 e 66 a responsabilidade de erradicar a pirataria do Mediterrâneo. São colocados ao seu dispor enormes meios militares em navios, homens e outro material para levar a cabo a missão. Face à eficácia da estratégia e dispositivo que põe em prática, Pompeu consegue destruir grande parte dos navios piratas e as suas bases em terra. Erradica assim a pirataria do Mediterrâneo em menos de três meses, superando todas as expectativas iniciais, que apontavam para um período de três anos[28]. Para mostrar a sua força e magnanimidade, Pompeu instala parte dos piratas derrotados como colonos na Cilícia, na Acaia e na Calábria.
No Oriente o perigo para Roma residia em Mitrídates Eupartos, o rei do Ponto. Após a vitória de Silas entre 87 e 85, que consegue estabilizar de algum modo a situação, cabe a Pompeu, 20 anos mais tarde, resolver definitivamente a questão do Oriente. Após as suas campanhas vitoriosas, Mitrídatres é assassinado pelo seu filho Pharmace[29] em 63. Pompeu pode então organizar à sua maneira os territórios asiáticos criando 4 novas províncias: Creta, Síria, Cilícia, Chipre, fixando o estatuto do Oriente Romano.

Causas directas da conquista romana da Palestina
Em 64 a.C. Pompeu conquista a Síria, e estabelece o seu centro de poder em Damasco. Torna-se evidente que a conquista da Judeia é consequência natural e fazia parte integrante da sua estratégia.
Na sequência da divisão que se segue à morte de Alexandra Salomé, devido ao desentendimento entre os seus filhos Hircano e Aristóbolo, as Legiões romanas aproveitam a ocasião para e entrar na Palestina, com o objectivo de restabelecer a paz na região, uma vez que Roma considerava que a instabilidade daquela região contribuía para colocar em perigo o controlo da Síria[30]. Flávio Josefo descreve-nos no seu livro Antiguidades Judaicas como Escauro[31], general de Pompeu, decidiu apoiar Aristóbolo[32], que estava sitiado no Templo pelas tropas do irmão e do rei nabateu, Aretas.

Escauro íntima então Aretas a retirar-se sob pena de ser declarado como inimigo dos romanos. Os nabateus retiram-se sendo que Aristóbolo persegue-os e inflige-lhes uma pesada derrota. Após terem dado inicialmente o seu apoio a Aristóbolo, os romanos percebem que podem tirar mais vantagens apoiando Hircano. Entretanto Pompeu recebe três embaixadas[33]: Antípatro representante de Hircano, Nicodemus, representante de Aristóbolo e os representantes do povo judeo. O povo não queria Hircano ou Aristóbolo porque não queriam reis helenizados, preferindo regressar às tradições dos pais.
Aristóbolo refugiou-se numa fortaleza em Alexandrium[34] depois de romper com Pompeu. Pompeu enviou mensageiros para exigir a Aristóteles que entregasse a fortaleza e se rendesse.

Aristóbolo não acatou a ordem e foi para Jerusalém com as suas tropas e acabou por se entrincheirar no Templo. Hircano, mantendo-se do lado dos romanos, abriu as portas de Jerusalém permitindo que estes tomassem a cidade. Depois de 3 meses de cerco o exército romano abriu brecha nas muralhas e entrou no Templo, provocando um grande banho de sangue[35].
Assim, em Setembro de 63 a.C., aproveitando a disputa entre os dois irmãos, a cidade de Jerusalém é tomada pelos romanos.

Conquistada Jerusalém é conquistado o judaísmo. Pompeu manda decapitar todos os chefes que se lhe opõem. Após a conquista de Jerusalém a estratégia de Pompeu para a Judeia consiste em reduzir o seu território, retirar o controlo das cidades costeiras das autoridades judaicas, dar o estatuto de cidade livre às cidades a oriente do Jordão (cidades helenísticas/cidades da Decápole) e por em prática uma política de enfraquecimento do poder tradicional.
A Judeia fica reduzida a um pequeno território confiado a Hircano, com o título de Etnarca – governador administrativo e sumo-sacerdote[36].
Pompeu regressa à Síria com Aristóbolo e seus filhos como prisioneiros. De seguida Pompeu vai celebrar a vitória sobre o Oriente a Roma, obrigando Aristóbolo e Hircano com as famílias e um numeroso grupo de judeos a marchar a pé à frente do seu carro imperial, tornando a humilhação dos vencidos ainda maior[37].
                                                                                                                                                                                       
É com este grupo de judeos que terá tido origem a comunidade judaica que acolhe Paulo em 64 d.C. de acordo com o que nos diz Filão de Alexandria no seu Legatio ad Caius[38].

O controlo Romano da Palestina

De 63 a.C. a 6 d.C.

No ano 63 Pompeu ocupa Jerusalém, o que pressupõe o fim da dinastia dos asmomeus e da independência Judaica. Sob a influência romana tomam o poder Antípatro e os seus dois filhos, Fasael e Herodes de origem idumeia. Este último obtém dos romanos o poder real em 39 a.C. [39]. Herodes o Grande, foi odiado pelo povo judeo porque era estrangeiro e colaborador de Roma. Além disso o seu governo foi pouco respeitador das normas da lei judaica.

As Herodes se devem construções grandiosas, entre elas destacando-se a cidade de Sebaste, as grandes construções de Cesareia Marítima, várias fortalezas em todo o país e o melhoramento substancial do Templo de Jerusalém[40].
À sua morte, ocorrida no ano 4 a.C.[41], após uma longa e dolorosa doença, sucederam-lhe os seus filhos: Arquelau, Filipe e Herodes Antipas. O primeiro governou os territórios da Judeia, Samaria e Idumeia, o segundo o território a Este do Jordão – Traconitide, Galamitide, Bataneia, Auranitide e Itureia, e o terceiro a Galileia e a Pereia. Todos eles estiveram submetidos ao governador romano da Síria.

De 6 a 70 d.C.

No ano 6 d.C. Augusto depôs Arquelau e exilou-o para nas Gálias. A partir desse momento, a Judeia e a Samaria converteram-se em província senatorial, governada por um prefeito. Na época do ministério público de Jesus essa região era governada por Pôncio Pilatos. Após a morte de Filipe no ano 34, o seu território passou também a ser governado directamente pelos romanos. Herodes Antipas governou até à sua destituição e exílio no ano 39, por mandato do imperador Calígula. Era portanto ele que governava a Galileia ao tempo de Jesus. De todos eles nos deixou Lucas notícia no seu Evangelho: No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da Itureia e da Traconitide, e Lisânias, tetrarca de Abilene… (Lc 3,1).

A Palestina voltou a ter um governo próprio durante alguns anos, quando o neto do rei Herodes o Grande, conhecido por Herodes Agripa I, conseguiu ser nomeado rei pelo imperador Calígula. Quando foi nomeado imperador Calígula, concedeu-lhe no ano 37, o território que Filipe tinha governado e, dois anos mais tarde, o de Herodes Antipas. No ano 41 d.C., ao conseguir o domínio da Judeia Samaria e Idumeia, Herodes Agripa agrupou sob o seu poder todo o território do reino do seu avô, durante os anos 41 a 44. Após a sua morte, o povo judeu foi submetido ao governo directo do poder romano.

Conclusões

A conquista e controlo do Médio Oriente foram de uma importância crucial para a manutenção do império. A questão económica e a defesa das fronteiras exigiam uma política de segurança forte nas províncias orientais. Envolvidos em frequentes conflitos com os partos, seus perigosos adversários políticos, comerciais e militares, as legiões romanas tentavam garantir a posse e segurança dos entrepostos comerciais onde passavam os produtos estrangeiros, e sobre os quais aplicavam taxas e impostos.

Os portos do oriente eram por isso uma peça chave. Os produtos da Pérsia, Arábia, Índia, China passavam obrigatoriamente pelos portos da Palestina em direcção ao ocidente. Os portos de Acre, Gaza, Haifa, Cesareia, Beirute, Biblos, Tiro, Sidon eram alguns dos portos utilizados no comércio do império. Por este motivo o controlo do Mediterrâneo oriental era um objectivo fundamental e prioritário. A questão palestinense tinha então uma relevância muito especial. Era necessário encontrar uma forma de governo que desse estabilidade a este território.

As medidas tomadas por Pompeu após a tomada de Jerusalém, procuram atingir este objectivo. Por um lado toma medidas que põem fim à liberdade que os judeus tinham conquistado em 142 a.C., mas por outro não elimina as instituições judaicas, pelo contrário vai utilizá-las para controlar o judaísmo. Para além disso escolhe personagens locais para governar e assim simular uma certa autonomia, reservando para si as funções importantes, como por exemplo a cobrança de impostos e segurança externa. Já a segurança interna era assegurada pelo governador. É neste contexto que surge Herodes o Grande. A família herodiana governa a Palestina de 37 a.C. até 44 d.C., com alguns períodos de interrupção, em que o governo é atribuído a um procurador ou prefeito. A conquista do judaísmo, por seu lado, foi facilitada pela profunda divisão entre os judeus. A fragmentação social está bem presente nos diversos grupos que então emergem na sociedade judaica.

Em conclusão pode dizer-se que os romanos foram implacáveis no domínio e controlo da Palestina, pois este controlo permitia o domínio de uma região fulcral para as comunicações entre o sul e o norte, nas vertentes culturais económicas e militares, sendo por isso vital para garantir a estabilidade e defesa da fronteira oriental do Império.


BIBLIOGRAFIA
FONTES
Bíblia Sagrada, Ed. Difusora Bíblica, Lisboa, 1998.
FLÁVIO JOSEFO, JOSEPHUS, Complete Works.  Kregel publications, Michigan, 1960, 1978 e 1981.
STERN, MENAHEM, Greek and Latin Authors on Jews and Judaism, I-II, Ed. The Israel Academy od Sciences and Humanities, Jerusalem, 1876 -1980.   
OBRAS
LOURENÇO, João, O mundo judaico em que Jesus viveu. Cultura judaica do Novo Testamento, U.C. Editora, Lisboa, 2005.
SCHÜRER, EMIL, Historia del Pueblo Judio en tiempos de Jesus; I: Fuentes y marco histórico; II: Instituciones políticas y religiosas, Ed. Cristiandad, Madrid 1985. 
SAULNIER, CHRISTIANE, De la conquête d’Alexandre à la destruction du temple (331 a. C. – 135 a. D.), Les éditions du CERF, Paris 1985
LOURENÇO, João, Guia Bíblico e Cultural da Terra Santa, Ed. Universidade Católica Portuguesa, 1ª Edição, Outubro 2008.
GRIMAL, P. O Império Romano, 20, 21, Edições 70, Lisboa 1999
LÉVÊQUE, P. Impérios & Barbáries do séc. III a.C. ao séc. I d.C.,  Publicações D. Quixote, Lisboa 1979
GRIMBERG, C. História Universal Vol. 4, Das origens de Roma à formação do império, Publicações Europa – América
LOURENÇO, João, H.C.B. Leccionação II – Do Regresso do Exílio à Conquista Romana, UCP LISBOA 30 de Junho de 2008
LOURENÇO, João, H.C.B. Leccionação III – Da conquista romana (63 a.C.) à destruição de Jerusalém (70 d.C.) o período das origens do Novo Testamento, UCP LISBOA, Janeiro de 2009
MATIAS, Nuno, Planeamento e execução de trabalhos escritos, textos de apoio, ISNG, LISBOA 1990

Portela, 15 de Março de 2009
Francisco Vaz


[1] LOURENÇO, O mundo judaico em que Jesus viveu, 98, U. C. Editora, LISBOA 2005
[2] LOURENÇO, Guia Bíblico e cultural da Terra Santa, 49, U. C. Editora, Lisboa, Outubro 2008.
[3] SAULNIER, Histoire d’Israël, 66 Les édition du CERF  Paris 1985
[4] LOURENÇO, Leccionação II – Do Regresso do Exílio à Conquista Romana, 25, LISBOA, 30 de Junho de 2008
[5] SAULNIER, op. cit. 67- 69,
[6] SAULNIER, op. cit. 95- 97
[7] SAULNIER, op. cit. 78 - 81
[8] JOSEPHUS, Complete Works, A.J. XIV, 3, 4, 245, Kregel publications Michigan. 1960, 1978 e 1981.

[9] LOURENÇO, Leccionação II – Do Regresso do Exílio à Conquista Romana, 36, LISBOA, 30 de Junho de 2008

[10] Zenão foi um funcionário egípcio que viajou pela Palestina e pela Transjordânia entre 260 e 258 e efectuou o registo da viagem.
[11] STERN, Greek and Latin authors on Jews and Judaism.  I, 110 , Jerusalem 1976

[12] JOSEPHUS, op. cit., A.J. XII, 9, 1, 262
[13] JOSEPHUS, op. cit. B.J. I, 1, 3, 429
[14] LOURENÇO, J., O mundo judaico em que Jesus viveu, 23, U. C. Editora, LISBOA 2005

[15] JOSEPHUS, op. cit. B.J. I, 1, 4, 430
[16] LOURENÇO, H.C.B. Leccionação III – Da conquista romana (63 a.C.) à destruição de Jerusalém (70 d.C.) o período das origens do Novo Testamento, 10, UCP LISBOA, Janeiro de 2009

[17] Grimal, O Império Romano, 20, 21, Edições 70, Lisboa 1999
[18] Uma das características do império Romano foi adoptar uma política que se apoiava no poder marítimo exercendo a influência que lhe permitiu dominar a navegação e o comércio no Mediterrâneo.
[19] Grimal, Ibid
[20] Grimal, Ibid.
[21] Grimal Ibid.
[22] LOURENÇO, J. Guia Bíblico e Cultural da Terra Santa, 80, U. C. Editora, Lisboa 2008.
[23] LÉVÊQUE, P. Impérios & Barbáries do séc. III a.C. ao séc. I d.C., 106, Publicações D. Quixote, Lisboa 1979
[24] LÉVÊQUE, Ibid.
[25] LÉVÊQUE, op. cit. 107.
[26] GRIMBERG, História Universal Vol. 4, Das origens de Roma à formação do império, Publicações Europa – América
[27] SAULNIER, op. cit. 387 – CICERON, De império Cn. Pompei, 12-18 trad. A. Boulanger
[28] SAULNIER, op. cit. 385,  – PLUTARQUE Pompée, 26,5-28,5, Trad. R. Fracelière et E. Chambry
[29] JOSEPHUS, op. cit. A.J. XIV, 3, 4, 291.
[30] LOURENÇO, O mundo judaico em que Jesus viveu, 25, Universidade Católica Editora, Lisboa 2005
[31] SCHÜRER, EMIL, Historia del Pueblo Judio en tiempos de Jesus; I: Fuentes y marco histórico, 324. Ed. Cristiandad, Madrid 1985. 
[32] JOSEPHUS, op. cit., A.J. XIV, 2, 1,  290,
[33] JOSEPHUS, op. cit., A.J. XIV, 3, 2, 291,
[34] JOSEPHUS, op. cit, A.J. XIV, 3, 4, 291.
[35] JOSEPHUS, op. cit., B.J. I, 7, 5, 436.
[36] JOSEPHUS, Ibid, 436
[37] JOSEPHUS, op. cit., B..J. I, 7, 7, 436.
[38] SAULNIER, op. cit. 414, – PHILON, Legatio ad Caium, 55-77, trad. A. Pelletier.
[39] JOSEPHUS, op. cit, A.J. XIV, 14, 5, 309.
[40] JOSEPHUS, op. cit. A.J. XIV, 9, 5, 331.
[41] JOSEPHUS, op. cit., B.J. I, 33, 8, 469.

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