Pecado original

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domingo, 2 de março de 2014

David Hume

SIMPATIA E SENTIMENTO MORAL EM DAVID HUME

1. Introdução

         É no decurso do século XVII que começam a edificar-se os fundamentos filosóficos e políticos da época histórica a que se convencionou chamar de modernidade. É neste século que surge o pensamento individualista e racionalista moderno, do qual Descartes e a filosofia das Luzes são percursores. O Estado centralizado, com as suas técnicas administrativas, substitui o até então existente sistema feudal. Culturalmente, é o período da secularização total das artes e das ciências.[1] O método empírico de Francis Bacon e de Thomas Hobbes influenciou toda uma geração de filósofos no Reino Unido, instituindo a tradição, que ficou conhecida como empirismo britânico, em oposição ao racionalismo que predominava na maior parte da Europa.

De facto, o desenvolvimento sistemático do empirismo é obra da Idade Moderna, em especial  da filosofia inglesa dos séculos XVII e XVIII. John Locke (1632/1704), considerado por muitos, como o verdadeiro fundador desta escola de pensamento, combate a teoria das ideias inatas, afirmando que a alma é uma tábua rasa que a experiência vai impressionando pouco a pouco. Há uma experiência externa (sensação) e uma experiência interna (reflexão). Locke procura, explicar e evidenciar que o conhecimento humano, a ética e a política, não necessitam, nem de um fundamento teológico, nem de argumentos a priori, para atingir a verdade. Mas o aspecto mais radical do seu empirismo é a sua posição céptica, que nega toda a experiência como apoio certo para atingir um conhecimento válido, pois que a validade da experiência é apenas considerada provável. O conhecimento aparece-nos assim somente como probabilidade de certeza relativa, uma vez que é negada a razão para atingir o conhecimento, pondo mesmo em causa a credibilidade do próprio sujeito do conhecimento. Para explicar toda a sua teoria, Locke utiliza as noções de sensações, percepções, impressões, ideias, memória e imaginação.
Esta filosofia é desenvolvida, alguns anos mais tarde, por David Hume (1711/1776), cujo princípio fundamental é o de que todas as ideias procedem das impressões e não são nada mais do que cópias dessas impressões. Este princípio é o seu principal critério para apreciar a validade objectiva das ideias:          
<<Em suma, todos os materiais do pensamento são derivados da sensibilidade (sentiment) externa ou interna: a mistura e composição destes pertencem apenas à mente e à vontade. Ora para me expressar em linguagem filosófica, todas as nossas ideias, ou percepções mais fracas, são cópias das nossas impressões ou [percepções] mais intensas.>>[2]
Assim, a situação epistemológica e gnoseológica da escola empirista britânica, cujos expoentes máximos são Hobbes, Locke, Berkeley e Hume, reduz o conhecimento possível (e com ele todo o saber possível) a um mero campo da experiência sensível, ou seja, uma axiomática empírica em que só é passível de conhecimento o que é dado por meio dos sentidos, sendo <<convicção sua que uma teoria, cujo objecto reside nas faculdades intelectuais e psíquicas do homem, devia constituir a base última de todas as ciências.>>[3]

 O empirismo constitui-se assim, como percursor das chamadas ciências humanas, num contexto de modernidade e secularização, em que, principalmente na segunda metade do século XVIII, se procura conhecer os mecanismos humanos, no intuito de agir sobre eles. No optimismo das Luzes, o conhecimento conduz a uma educação que visa restaurar a natureza na sua integridade.

David Hume nasceu em Edimburgo em 1711 e faleceu na mesma cidade em 1776. Estudou no Colégio de Edimburgo e teve uma breve incursão na área comercial. De 1734 a 1737 estudou Filosofia em La Fleche, o mesmo colégio onde tinha estudado Descarte. Entre as muitas obras de Hume, “A Treatise of Human Nature”, é a sua primeira e maior obra, onde expõe as suas teorias e argumentos e o primeiro texto relevante, onde utiliza o conceito de simpatia, aplicado à teoria moral.

No primeiro Livro[4], Hume introduz as noções básicas da sua filosofia, começando por apresentar os elementos e mecanismos da mente humana que considera fundamentais: espaço-tempo, causa-efeito e conexão necessária-identidade pessoal.

No segundo Livro, faz uma análise exaustiva das paixões, nomeadamente, do orgulho - humildade e do amor - ódio. Fala ainda sobre o livre-arbítrio e argumenta sobre a incapacidade da razão para motivar a acção.

No terceiro e último Livro, que é o corolário dos dois anteriores, Hume explica como a ética se baseia no entendimento e nas paixões, destacando a teoria de que os juízos morais resultam de sentimentos aprazíveis ou dolorosos desencadeados pela simpatia. Segundo Hume, é este sentimento de simpatia que nos permite participar do prazer ou da dor dos outros.

A reduzida aceitação que esta obra mereceu por parte do público, quando da sua edição, levou Hume a escrever e publicar alguns anos mais tarde, outras três obras, que de algum modo procuravam clarificar e tornar mais simples a compreensão das teorias descritas no THN. Em 1741 e 1742 são publicados, respectivamente os dois primeiros volumes dos “Essays, moral and political”, e em 1748 é publicado o terceiro volume. Em 1748 é publicada a obra “An enquiry concerning human understanding” e em 1751, a obra “An enquiry concerning the principles of morals”. Após a sua morte, foi ainda publicada a obra “Dialogues concerning natural religion”, que terá sido composta cerca de 1769.[5]

2. O sentimento moral em Hume
         Para Hume, a chave de todo o saber é a ciência do homem, da qual dependem todas as ciências. O pensamento humeano centra-se na investigação da origem das ideias, uma vez que todas as ciências são ideias que só serão verdadeiramente esclarecidas quando forem uma extensão do entendimento humano. Como este apenas pode ser conhecido pela observação e experiência, esgota-se em impressões (sensações, paixões e emoções) e ideias (cópias ou imagens empalidecidas daquelas). A diferença entre as impressões e ideias reside apenas na força e vivacidade com que chegam à nossa mente[6]:

As impressões e ideias são simples, indecomponíveis, ou complexas, que se podem distinguir em partes[7].

Embora a ideia simples se possa considerar cópia da impressão simples, tal não se pode considerar verdadeiro em relação ao par ideia complexa – impressão complexa:  

<<Ao nível da impressão e da ideia simples é que é válida a proposição fundamental do empirismo: as ideias simples são derivadas das impressões simples correspondentes e representam-nas exactamente.>>[8]

Depois do exame das ideias, de ordem epistemológica, Hume passa ao exame das paixões, no âmbito da moral:  

<<A vida das paixões é regulada por dois tipos fundamentais de experiência – o prazer e o desprazer – pois condicionam empiricamente a aprovação e a reprovação, que são juízos de factos e, portanto, não necessários>>[9]

Verificamos que a filosofia moral de Hume está de acordo com sua epistemologia e todo o seu sistema empírico e céptico. De facto, O Livro III – “Da moral”, aplica os conceitos éticos anteriormente desenvolvidos nos Livros I e II. Assim, é notório que o projecto filosófico de Hume, tem como ponto de partida uma obra predominantemente ética. Hume começa por afirmar que a moralidade é um assunto que interessa mais que qualquer outro. Segundo Hume, qualquer decisão a este respeito é então muito importante para toda a sociedade,[10] reforçando esta ideia na IMP afirmando que:    

<<A finalidade de todas as especulações morais é ensinar-nos o nosso dever e, mediante representações adequadas da deformidade do vício e da beleza da virtude, gerar os hábitos correspondentes levando-nos a evitar o primeiro e a adoptar a segunda.>>[11]

         A primeira e mais detalhada explicação da teoria moral de Hume pode ser encontrada no Livro III do Tratado. O Livro é dividido em três partes: a primeira discute a natureza da aprovação moral de um espectador. O que se discute aqui, é saber se a nossa aprovação moral é um juízo racional ou uma reacção emotiva. Na segunda parte é discutida a natureza da justiça e da injustiça. Hume considera, em relação à natureza da justiça, algumas possíveis motivações naturais, tais como o amor-próprio, o interesse público e a benevolência. Na terceira parte são discutidas as virtudes naturais e as virtudes artificiais. Do ponto de vista do espectador  a diferença entre virtudes naturais e artificiais, reside no facto de que todo o acto que surge das virtudes naturais pode produzir um prazer através da simpatia no espectador.

         Neste livro (IPM), que constitui uma nova exposição sobre a moral, Hume explica que a sua preocupação com este tema, deriva de uma controvérsia sobre os fundamentos da moral:   


<<Surgiu recentemente uma controvérsia muito mais digna de investigação, a respeito dos fundamentos gerais da moral, debatendo se eles derivam da razão ou do sentimento, se chegamos ao seu conhecimento por uma cadeia de argumentos e indução ou por um sentimento imediato e um sentido interno mais apurado; e se, como todos os juízos correctos sobre a verdade e a falsidade, eles devem ser os mesmos para todos os seres racionais e inteligentes, ou se pelo contrario, como na percepção da beleza e da deformidade, assentam inteiramente na estrutura e constituição peculiares à espécie humana>>[12]

         A moralidade para Hume é uma questão de sentimento, não de razão, pois para ele, os fins últimos das acções humanas nunca podem ser justificadas pela razão, mas sim pelos sentimentos e afeições.[13]


3. A função moral da simpatia

A ideia de que a simpatia é um sentimento que vincula as pessoas umas às outras foi proposta por David Hume. No Livro II do Tratado, Hume começa por definir que a simpatia é uma qualidade muito notável da natureza humana, e que é através da capacidade para simpatizar com os outros, que conseguimos comunicar e partilhar os nossos sentimentos.[14]

            A simpatia é assim uma espécie de mecanismo, ou capacidade empática para detectar os estados mentais das outras pessoas. Este estado de empatia permite, segundo Hume, experimentar o que a outras pessoas sentem, caso estejamos nas mesmas circunstâncias. Aqui, Hume considera que as mentes humanas são como espelhos, que reflectem as emoções e as paixões.[15]
A simpatia funciona como uma percepção original, sendo portanto uma impressão que leva a uma ideia, relativamente à experiência do outro, e que é o resultado da relação que temos com o objecto.[16]  Por outro lado, a simpatia não é algo que ocorra intencionalmente. Ela é primeiramente reconhecida pelos sinais exteriores, designadamente, pelo semblante e conversação do nosso interlocutor. Só posteriormente adquire a força e a vivacidade que produz uma emoção igual a qualquer impressão original.[17] Na sua opinião, esta transição é efectuada pela simpatia, que transforma uma ideia de bem ou de mal, através de uma opinião (juízo moral), passando a ter influência sobre nós, convertendo assim uma ideia numa impressão, pela força da imaginação. A transição de um juízo moral (ideia) para um sentimento moral (impressão) é então efectuada através da simpatia.[18]
Hume faz uma analogia entre a simpatia e os juízos morais e entre crenças e juízos de entendimento. A simpatia opera por juízos morais exactamente como as crenças operam por meio de outros juízos do entendimento. É a opinião alheia que faz com que a ideia de bem ou de mal passe a ter influência sobre nós. Estas ideias, diz Hume, aparecem nas nossas mentes inicialmente, como ideias simples, tal como concebemos qualquer outra coisa.[19]

A alegação de que os nossos juízos de aprovação ou desaprovação moral são gerados pelos nossos sentimentos de simpatia é de grande importância para Hume, pois ele assume que a simpatia é universal e portanto, só julgando com base na simpatia podemos produzir um juízo com o qual as outras pessoas possam concordar. Assim a simpatia torna-se mais viva em nós quando se transforma numa impressão.[20]
Por sua vez, o sentimento de simpatia é o responsável pela atribuição de um louvor ou de uma censura, uma vez que, sendo este sentimento universal, permite a emissão de juízos de aprovação ou censura moral. A simpatia torna-se por isso, um sentimento vívido, em que as ideias e paixões dos outros acabam por se tornar em impressões, que nos são transmitidas e nos afectam da mesma forma. Todos os seres humanos são semelhantes, de modo que, em princípio, não existe ninguém que não possa sentir uma paixão através do sentimento de simpatia. Hume acredita que este sistema associativo é baseado na experiência comum.

Hume vai mais longe, ao ponto de considerar que sem o sentimento de simpatia, uma pessoa nunca terá sentimentos de prazer ou de dor, como resposta a um qualquer estímulo de outra pessoa. A simpatia é necessária não só para a aprovação das acções úteis, mas também para que os outros nos considerem e nos transmitam a sua estima.[21]

O sentimento de simpatia torna-nos solidários e preocupados com o interesse dos outros. Para Hume, não há uma clivagem entre o privado e o público. De acordo com a sua teoria, a semelhança e afinidade entre as pessoas deriva mais do sentimento de simpatia, do que do facto de pertencerem a um mesmo povo.[22]
Hume admite que aquilo que é importante para cada pessoa, como por exemplo, a virtude, a beleza e a riqueza, devem ser veiculadas pela opinião e sentimentos dos outros, para que tenham verdadeira importância. Mais uma vez se confirma, que, para o nosso autor, o sentimento de simpatia é o verdadeiro mecanismo de aprovação moral.[23]

Por seu lado, este sentimento, que surge naturalmente, é mais forte quando estamos mais próximo do nosso objecto de simpatia. Segundo Hume, somos mais afectados por aqueles que nos estão próximos, como por exemplo a família e os amigos. Hume reconhece que os sentimentos dos outros têm pouca influência, quando aqueles estão distantes de nós, uma vez que é requerida alguma continuidade e contiguidade para que possam comunicar-se inteiramente.[24]

            Para Hume, a o sentimento de simpatia é algo muito poderoso. É através deste sentimento que concordamos ou não com as opiniões das outras pessoas. Sendo a fonte principal dos juízos morais, é através da simpatia que partilhamos juízos e sentimentos e, portanto, partilhamos o sentido da realidade.[25]

Esta teoria, é retomada e desenvolvida na IPM, embora com menos ênfase que no THN. O sentimento de simpatia parece ser, portanto, o fundamento para toda a filosofia moral de Hume, como se pode observar na seguinte citação:    

<< …que não há qualidades mais merecedoras da boa vontade e aprovação geral do género humano do que a de ser extremamente humano e beneficiente, capaz de amizade e gratidão, afeição natural e espírito público, e tudo o que deriva de uma terna simpatia pelos outros e de uma generosa preocupação com a espécie a que pertencemos.>>[26]

Para alem da célebre máxima: <<A razão é, e tem de ser apenas escrava das paixões e nunca pode pretender desempenhar qualquer outro papel a não ser servi-las e obedecer-lhes.>>[27], Hume reforça esta visão no Apêndice 1 à IPM: 
<<Parece evidente que os fins últimos das acções humanas nunca podem ser justificados pela razão, mas que se recomendam inteiramente aos sentimentos e afeições dos seres humanos sem qualquer dependência das faculdades intelectuais.>>[28]

4. Conclusão

Do que foi exposto, constatamos que o sentimento de simpatia, apresentado no THN e na IPM desempenha um papel importante e crucial na Filosofia Moral de Hume. É este sentimento que está na base da formação das nossas atitudes e juízos morais. Segundo Hume, a natureza depositou um sentimento de simpatia pelo outro no peito de cada ser humano, pelo qual o indivíduo visa naturalmente agradar ao interesse alheio, sendo assim capaz de proporcionar um padrão moral:

<<Está aqui a moralidade mais perfeita de que temos conhecimento, mostra-se aqui a força de muitas simpatias. O nosso próprio sentimento moral é uma emoção essencialmente dessa natureza, o nosso interesse em ter reputação aos olhos dos outros, parece surgir apenas do cuidado de preservar a reputação aos nossos próprios olhos, e para atingir este fim consideramos necessário sustentar o nosso juízo cambaleante com a aprovação correspondente da humanidade.>>[29]

Finalmente, em síntese, podemos concluir que:

-       O sentimento de simpatia é exposto no TNH, em particular no Livro III e com menos ênfase no IPM;
-       Hume nega que a razão possa originar a acção ética, pois o pensamento racional, restrito ao mundo das ideias, não poderia produzir outra coisa que não fossem ideias;
-       A simpatia é uma percepção original (impressão) e principal geradora do juízo moral;
-       A simpatia promove um tipo de comunicação sentimental entre as pessoas, permitindo compartilhar emoções;
-       A simpatia é um sentimento muito poderoso da natureza humana, que varia em grau e a sua força depende de outros factores, que ligam uma pessoa ao objecto da simpatia.


BIBLIOGRAFIA
Fontes primárias: Obras de David Hume
1.    “A Treatise of Human Nature”, L. A. Selby-Bigge (ed.), 2nd ed. revised by P.H. Nidditch, Oxford: Clarendon Press, 1978;

2.    “Investigação sobre o entendimento humano", trad. de Artur Morão, Lisboa, Edições 70, 1989;

3.    “Tratados filosóficos II - Dissertação sobre as Paixões – Investigação sobre os princípios da moral”, trad. de Paulo Monteiro e Pedro Galvão, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa  2005.

Outra bibliografia consultada:
4.    Ayer, A. J., “Hume”, trad. De Maria Luísa Pinheiro, Publicações D. Quixote, Lisboa, 1981


5.    Matias, Nuno Vieira, “Planeamento e execução de trabalhos escritos”, ISNG, Lisboa, 1990

6.    Morujão, Alexandre Fradique, “Hume (David)”, Enciclopédia de Filosofia Logos

7.    Pereira, Miguel Baptista, “Modernidade e Tempo: Para uma leitura do discurso Moderno”, Livraria Minerva, Coimbra, 1990

8.    Stanford Encyclopedia of Philosophy em http://www.seop.leeds.ac.uk/, (consulta em Abril de 2012)

9.    Internet Encyclopedia of Philosophy em http://www.iep.utm.edu/emp-symp/#SH3a (consulta em Abril de 2012)


Portela, 29 de Maio de 2012
Francisco Vaz





[1] Cf, Pereira, Miguel Baptista, “Modernidade e Tempo: Para uma leitura do discurso Moderno”, Livraria Minerva, Coimbra, 1990
[2] IEH, pág. 25
[3] Ibid, pág. 9
[4] THN: Os 1º e 2º volumes, intitulados respectivamente, “Do Entendimento” e “Das Paixões”, são publicados em 1735 e o 3º, intitulado “Da Moral” em 1740.
[5] Cf, Morujão, Alexandre Fradique, “Hume (David)”, Enciclopédia de Filosofia Logos, pág. 1233
[6] THN, pág. 1 <<All the perceptions of the human mind resolve themselves into two distinct kinds, which I shall call Impressions and Ideas. The diference between these consists in the degrees of force and liveliness, with which they strike upon the mind, and make their way into our thought or consciousness.>>
[7] Ibid, <<There is another division of our perceptions, which it will be convenient to observe, and which extends itself both to our impressions and ideas. This division is into SIMPLE and COMPLEX. Simple perceptions or impressions and ideas are such as admit of no distinction nor separation. The complex are the contrary to these, and may be distinguished into parts.>>, pág. 2
[8] Cf, Morujão, Alexandre Fradique, “Hume (David)”, Enciclopédia  de Filosofia Logos, pág. 1234
[9] Ibid, pág. 1234 e 1235
[10] TNH, pág. 457, <<Morality is a subject that interests us above all others: We fancy the peace of society to be at stake in every decision concerning it; and it is evident, that this concern must make our speculations appear more real and solid, than where the subject is, in a great measure, indifferent to us.>>,
[11] IPM, pág. 49
[12] Ibid, pág. 48
[13] Cf., Ibid, pág. 171
[14] Cf, THN, Pág. 316 <<No quality of human nature is more remarkable, both in itself and in its consequences, than that propensity we have to sympathize with others, and to receive by communication their inclinations and sentiments, however different from, or even contrary to our own. >>
[15] Cf, Ibid, pág. 365 <<In general we may remark, that the minds of men are mirrors to one another, not only because they reflect each others emotions, but also because those rays of passions, sentiments and opinions may be often reverberated, and may decay away by insensible .>>
[16] Cf, Ibid, pág. 320 <<In sympathy there is an evident conversion of an idea into an impression. This conversion arises from the relation of objects to ourself.>>
[17] Cf, Ibid, pág 317 <<When any affection is infused by sympathy, it is at first known only by its effects, and by those external signs in the countenance and conversation, which convey an idea of it. This idea is presently converted into an impression, and acquires such a degree of force and vivacity, as to become the very passion itself, and produce an equal emotion, as any original affection.>>
[18] Cf, Ibid, pág 427 <<The bare opinion of another, especially when inforced with passion, will cause an idea of good or evil to have an influence upon us, which would otherwise have been entirely neglected. This proceeds from the principle of sympathy or communication; and sympathy, as I have already observed, is nothing but the conversion of an idea into an impression by the force of imagination.>>
[19]Cf, Ibid <<What is principally remarkable in this whole affair is the strong confirmation these phaenomena give to the foregoing system concerning the understanding, and consequently to the present one concerning the passions; since these are analogous to each other. It is indeed evident, that when we sympathize with the passions and sentiments of others, these movements appear at first in our mind as mere ideas, and are conceived to belong to another person, as we conceive any other matter of fact.>>
[20] Cf, Ibid, pág 385 <<Simpathy is nothing but a lively idea converted into an impression>>
[21] Cf, Ibid, pág 587 <<There are, however, instances, in cases of less moment, wherein this immediate taste or sentiment produces our approbation. Wit, and a certain easy and disengaged behaviour, are qualities immediately agreeable to others, and command their love and esteem.>>
[22] Cf, Ibid, pág. 316 <<To this principle we ought to ascribe the great uniformity we may observe in the humours and turn of thinking of those of the same nation; and it is much more probable, that this resemblance arises from sympathy, than from any influence of the soil and climate, which, though they continue invariably the same, are not able to preserve the character of a nation the same for a century together.>>
[23] Cf, Ibid, pág. 316 <<But beside these original causes of pride and humility, there is a secondary one in the opinions of others, which has an equal influence on the affections. Our reputation, our character, our name are considerations of vast weight and importance; and even the other causes of pride; virtue, beauty and riches; have little influence, when not seconded by the opinions and sentiments of others.>>
[24] Cf, Ibid, pág. 318 <<The stronger the relation is between ourselves and any object, the more easily does the imagination make the transition, and convey to the related idea the vivacity of conception, with which we always form the idea of our own person. Nor is resemblance the only relation, which has this effect, but receives new force from other relations, that may accompany it. The sentiments of others have little influence, when far removed from us, and require the relation of contiguity, to make them communicate themselves entirely. The relations of blood, being a species of causation, may sometimes contribute to the same effect; as also acquaintance, which operates in the same manner with education and custom;>>
[25] Cf, Ibid, <<We are certain, that sympathy is a very powerful principle in human nature… If we compare all these circumstances, we shall not doubt, that sympathy is the chief source of moral distinctions; >>
[26] IPM, pág 55
[27] THN, pág. 415, <<Reason is, and ought only to be the slave of the passions, and can never pretend to any other office than to serve and obey them.>>
[28] IPM, pág. 171
[29] Ibid, pág. 156

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