O Concílio Vaticano II convida-nos a imitar a Virgem
Maria “que brilha como modelo de virtudes sobre toda a família dos eleitos” (LG
65). A esta luz proponho-me fazer uma brevíssima reflexão sobre dois dos apelos
que retiro deste convite: o primeiro é o apelo à santidade e o segundo o apelo
à presença e atuação, segundo as virtudes, dos cristãos no mundo.
Crescer em santidade, atrevo-me a dizer, é o imperativo
mais urgente e mais radical de todos os cristãos. Se queremos renovar a Igreja
e evangelizar o mundo parece-me que temos que começar por aqui. Mas, não se
pense que o projeto de santidade possa, alguma vez, induzir à alienação das
responsabilidades socias ou favorecer um individualismo narcísico. Pelo
contrário, a santidade autêntica, moldada à imagem de Maria, desagua
necessariamente numa profunda vivência comunitária da fé, da esperança e do
amor, que nos leva a assumir e partilhar responsabilidades, dentro e fora da
Igreja e nos projeta para estar ao serviço dos outros.
Esta afirmação remete imediatamente para o segundo apelo
ou seja a presença e atuação virtuosa dos cristãos no mundo. Em 1987, na
encíclica Redemptoris Mater escreveu
São João Paulo II: “Em Caná da Galileia, torna-se patente só um aspeto concreto
da inteligência humana, pequeno aparentemente e de pouca importância (Não têm
vinho). Mas é algo que tem um valor simbólico: aquele ir ao encontro das
necessidades do homem significa, ao mesmo tempo, introduzi-las no âmbito do
poder salvífico de Cristo” (RM 21).
Se pretendemos evangelizar o mundo para o modificar e torná-lo
mais humano, temos de saber estar nele, como fermento, no interior das
situações que tecem a vida dos homens intervindo na complexidade das relações
humanas, sejam elas de cariz social, cultural, económica ou política.
O ano que iniciámos convida-nos exatamente a fixar os
olhos na Virgem Santa Maria à maneira de quem espera um novo Pentecostes, pois
foi pela sua mediação que Cristo encarnou para nos resgatar da velha
escravidão, outorgando-nos a nova condição de filhos de Deus (cf. Gal. 4,4-7).
Aceitemos pois o convite a pôr a esperança na Mãe de
Jesus, poderosa intercessora junto do Senhor, sempre solícita em obter-nos a
graça de um “vinho novo” capaz de alegrar o convívio da nossa
festa da vida (cf. Jo. 2,1-12).
Francisco Vaz
Fevereiro, 2017
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